Slides pratica leitora multimidial

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domingo, 16 de janeiro de 2011

Colegas, postamos abaixo mais uma idéia para se trabalhar com leitura através do Método Recepcional. Visto que nosso blog tem por objetivo contagiar nossos leitores , deixamos aqui mais uma atividade que promova o professor a um mediador de leitura na biodiversidade.

Nos anos sessenta, na escola de Constança, surge o método Recepcional que prioriza o leitor. Essa corrente estética no ensino de Literatura visa o confronto entre o familiar e o novo, entre o próximo e o distante dentro do tempo e do espaço. O trabalho com o método Recepcional prevê como ponto de partida a realidade do aluno e é desenvolvido em cinco etapas: a determinação do horizonte de expectativas, cujo objetivo é reconhecer os valores prezados pelos alunos em termos de crença , modismos , estilos de vida, preferências e preconceitos; atendimento do horizonte de expectativas , que deve proporcionar aos alunos experiências com textos literários atendendo aos seus questionamentos; ruptura do horizonte de expectativas que objetiva romper com certezas e costumes trazidos pelos alunos; questionamento do horizonte de expectativa , etapa onde se dá a comparação entre questões anteriores ; e finalmente a ampliação do horizonte de expectativas, cuja principal função é fazer com que os alunos percebam que as leituras feitas trazem transformações no modo de ver o mundo.


Método Recepcional – Baseado na obra de Jorge Amado , “Os capitães da Areia”.

1) Determinação do horizonte de expectativas:
A) Tendo em vista que através de trabalhos feitos anteriormente, a turma demonstrou interesse por assuntos relacionados à problemática dos meninos de rua e a situação de preconceito vivida por estes, a professora abre o trabalho com literatura em um enfoque recepcional levando um documentário que aborda tais problemas. O vídeo apresentado aos alunos está disponível no You Tube – Meninos de Rua. Após o término do vídeo, abre-se uma discussão entre os alunos em que serão ouvidas as diferentes opiniões dos alunos a este respeito.

B) A professora apresenta aos alunos a obra “ Capitães da Areia de Jorge Amado , e faz comentários com intuito de motivá-los a lê-la . Cada aluno ficará responsável por um capítulo do livro e em data pré determinada todos deverão fazer a apresentação de seu capítulo a fim de que todos fiquem por dentro de todos os acontecimentos do acerca dos “Capitães da Areia”.
2) Atendimento do horizonte
A) Nessa etapa do trabalho a turma será dividida em dois grupos e será promovido um jogo de perguntas e respostas entre a eles . A professora será a mediadora das questões a serem abordadas e entre as atividades serão sugeridas algumas onde os alunos deverão por em prática os todos os detalhes percebidos durante a leitura da obra e expressá-las até mesmo em forma de desenhos.
É importante que antes do começo desta atividade a professora aborde com a turma como diferenciar características físicas ( adjetivação) , de características psicológicas , a fim de que as perguntas sejam conduzidas também neste sentido.
3) Ruptura do horizonte de expectativas
A) Tendo em vista o preconceito como tema central de “ Capitães de Areia” será sugerido a turma uma outra obra – “ A terra dos meninos Pelados” , de Graciliano Ramos “ , onde o preconceito também é tema central. Esta porém, trata do preconceito de uma outra óptica , pois são as características físicas de Raimundo , personagem principal que vai dar o desenrolar da narrativa.
B) O livro será dividido entre a turma de forma que cada um fique responsável por uma parte. Em data pré estabelecida todos deverão fazer a apresentação oral de sua parte, de modo que os demais colegas tomem conhecimento das aventuras de Raimundo.
C) A turma será dividida em cinco grupos que terá como tarefa caracterizar os principais personagens do livro: Raimundo, Pirenco, Talima, Sira, e Caralâmpia. Após o término desta atividade será feita a exposição dos personagens através de um mural.
D) Finalizando a atividades será pedido aos alunos que: comentem a relação entre as duas obras; que apontem a temáticas das obras; e que façam, uma relação entre os problemas enfrentados pelos “Capitães da Areia “ e por “Raimundo , em A terra dos meninos pelados”.

4) Questionamento do horizonte de expectativas
A) Nessa etapa do projeto, os alunos organizados em dois grupos, representarão cada um dos personagens principais das duas obras: Pedro Bala e Raimundo.
B) Cada grupo elaborará perguntas sobre a vida, os sonhos e os sentimentos dos personagens e fará ao outro grupo que responderá como sendo Pedro Bala ou Raimundo. De posse das respostas , agora é a vez produzir um texto que terá por objetivo a publicação em um jornal. A professora aproveitará para apresentar a turma as partes que compõem um jornal e levá-los a identificar a linguagem que deverá ser usada para escrita desse texto.

5) Ampliação do horizonte de expectativas
Finalizando essa abordagem, será pedido aos alunos a pesquisa em sites, livros ou revistas outros gêneros literários, como : poesia, músicas ou contos que abordem a temática do preconceito.

Atividade Imagem e poesia para o blog.

    
    Gustav Klimt pintou, entre 1905 e 1909, esta árvore que se designou de "A árvore da vida", ou seja a "Árvore do Conhecimento" de que se fala na bíblia: "E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim,  a árvore do conhecimento do bem e do mal."
    A Árvore do conhecimento é um dos quadros preferidos da colega Lisiane Inchauspe e ela sugeriu que o trabalho fosse feito sobre um detalhe desse quadro, que retrata um casal abraçado. Logo, tivemos a ideia de falar de amor, de afeto e amizade. 
    No início, foi difícil inserir o humor no nosso poema, mas quando pesquisamos um pouco mais sobre a obra, descobrimos que Klimt retratou nesse quadro um pássaro negro, que Freud analisava como símbolo da morte.
   Segundo Klimt e Freud  é aí que" reside o desenrolar normal do ciclo da vida". e o que há de mais normal na vida que a decepção amorosa? Amor rima com dor, não é mesmo?
   E eis, colegas, a nossa obra:  

Detalhe de A Árvore da vida, de Gustav Klimt.


Teu abraço foi calor... Teu desprezo, frio de inverno...
Num minuto, coube o tempo de um amor eterno...
Por que é que foste embora?
Já estás com outra agora?
Tu casado e eu sozinha,
Te esperando na pracinha!!
Um silêncio mensageiro...
E chorei todo o fevereiro!!!
Tua palavra esperei tanto...
Secou-me a fonte do pranto!
Encontrei um amor novo!!
É o vendedor de ovo!!!
Marquei para o mês de abril
O casamento civil!!
Te mando um pedaço do bolo
Com purgante no miolo!!!
Te cause uma dor de barriga,
Seu traidor de uma figa!!

Em tempo, lembramos de Manuel Bandeira:
"Sou poeta menor, perdoai..."

Beijinhos, com carinho.
Cris Duarte
Lisiane Inchauspe
Lisiane Posqui
Miriam Fernandes

sábado, 15 de janeiro de 2011

Concurso de Leitura - Aceguá 2010

Colegas, aqui está mais uma sugestão de atividades envolvendo leitura. Durante o ano passado, realizou-se em Aceguá o primeiro Concurso de leitura, dentro do Projeto de Aquisição de Habilidades Básicas da Secretaria Municipal de Educação do município. Esse projeto foi sugerido pela nossa supervisora, professora Hannelore Hubert, que costumava promover essa atividade com seus alunos de Língua Alemã.
Funcionou da seguinte maneira: Todos os alunos alfabetizados tiveram a oportunidade de participar. Cada professor de Língua Portuguesa da rede municipal escolheu e enviou 5 textos que julgava adequados para cada série. Esses textos foram reunidos pela professora Iara Roman, do pedagógico da SMEd e entregues às escolas. Assim, as professoras de Língua Portuguesa começaram a treinar a leitura diariamente no espaço de suas aulas. Todos os alunos liam pelo menos um trecho e eu notei que, com o tempo, aqueles mais tímidos começaram a cobrar a atividade e oferecer-se para ler.
No final, foram selecionados os cinco melhores de cada série, e estes participaram da fase escolar. Durante sua leitura, avaliaram-se ítens como postura, interpretação textual e dicção, entre outros.
Alunos representantes da quinta série, aguardando na biblioteca a sua vez de ler.

Adicionar legenda

Professores jurados do concurso.

Depois, o melhor aluno de cada série concorreu à etapa municipal, o prêmio para cada vencedor foi um exemplar literário.


Como sempre, eu gosto de sugerir atividades para os alunos menores. O concurso de leitura realizou-se também nas séries iniciais. Os pequenos deram show!!



Olha que comportamento dos aluninhos ouvindo atentamente os coleguinhas!



Aluninhos do segundo ano fazendo sua apresentação.

Professoras juradas do concurso de leitura das séries iniciais.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Releitura do Conto "A Cartomante"

A Cartomante
Em uma pequena cidade, chamada Bagé, localizada na Região da Campanha e muito conhecida por cultuar as tradições gaúchas, vivia uma mulher que ocupava-se em advinhar o futuro das pessoas. Madalena era seu nome, uma mulher alta, morena, unhas compridas e vermelhas, que fascinava aos homens.
Quando chega o verão, Bagé passa por racionamento de água, limitando à população de usá-la integralmente, por esse motivo, Dalva todos os dias vai à casa de Pedro, melhor amigo de seu marido para pegar água. Ao ler um anúncio sobre a cartomante, resolve ir se consultar, pois não agüenta mais sofrer de amor.
- Boa tarde, diz Dalva.
-Boa tarde, bela jovem, já sei o que queres saber e digo-te que sigas teu coração, mas não
embarques nesta louca paixão!
Dalva sai apressadamente e vai em direção ao seu lar e Ronaldo já a sua espera fica sem entender...
- O que houve Dalva?
-Fui numa cartomante e não gostei das coisas que ela me falou.
-Cansei de dizer a você que cartomantes não sabem nada! Vou à casa de Pedro, não me espere para o jantar.
Dalva como todos os dias fica só, toma seu banho e espera Ronaldo chegar. Na manhã seguinte Ronaldo sai para trabalhar e Dalva é surpreendida por Pedro:
-Trouxe esses dois baldes com água para você, sei que gosta de limpar bem sua casa.
-Obrigada Pedro, mas hoje estou indisposta para limpezas.
-O que houve? Pergunta-lhe Pedro assustado.
-Estive me consultando com uma cartomante e ela disse-me coisas que me deixaram impressionada.
-Você foi na Madalena?
-Sim. Fui.
-Eu também estive lá esses dias.
-Pedro, você foi a uma cartomante? Achei que não acreditasse como seu amigo.
- Fui Dalva e acredito, queria alguma orientação, pois estou perdidamente apaixonado pela mulher do meu melhor amigo.
Dalva começou a chorar...
-Eu também estou nesta situação.
Pedro toma Dalva em seus braços e a beija ardentemente como se o mundo fosse acabar.
-Pedro não podemos! nos arrependeremos,diz Dalva assustada.
-Sei disso guria, foi o que Madalena havia me dito, mas ela também me disse que eu seguisse meu coração.
Depois daquela manhã, muitas outras se repetiram, trocas de carícias e beijos, até que um dia Ronaldo chega em casa e assiste ao descontrolado desejo de Dalva e Pedro e, sem dizer uma palavra vai até seu quarto pega o revólver, retorna na sala onde estão Pedro e Dalva, e aperta o gatilho. Sua esposa é morta com dois tiros no peito.
- O que você fez? grita Pedro apavorado!
-Fiz o que me aconselharam, pois como disse Madalena eu deveria fazer uma escolha. E escolhi Madalena.
-Ma você não acredita em cartomantes!
-Não e nunca irei acreditar, mas confio na minha amada.
-Então você ama a cartomante?
-Sim, eternamente!
Autores: Cristiane Duarte, Lisiane Posque, Lisiane Inchauspe, Miriam Martins.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sugestão de atividade de leitura para séries finais: Circuito de leitura.

    O circuito de leitura é uma atividade que requer poucos recursos, mas tem um bom efeito, se o professor tiver cuidado na escolha dos textos. Sempre é importante levar em consideração o assunto e o formato que poderão interessar ao aluno. Esse ano, eu trabalhei com a oitava série o gênero crônica, dentro da proposta das Olimpíadas de Língua Portuguesa.
   O trabalho ocorreu assim: dispus os alunos em grupos de três a cinco e dei a cada aluno uma crônica. Assim que terminavam de ler, passavam para o colega ao lado, sucessivamente, de modo que, ao final, todos lessem todas as crônicas. Escolhi, por exemplo, a crônica de Martha Medeiros "Eu te amo não diz tudo", que causou um grande impacto, visto que essa é a época dos primeiros amores...Escolhi também uma crônica do Paulo Santanna, que fala sobre amizade e começa assim: "Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos...", tinha também algo sobre futebol, interessante porque o texto se chamava "Peladas" e esse título atraiu a atenção dos alunos.
     No final, fizemos um debate que envolveu vários aspectos da leitura: O que o autor pode fazer para despertar o interesse do público? Você gostou? Você não gostou? Por quê? Concorda ou discorda? Conhece o autor? 




Meninas concordando: Eu te amo não diz tudo.

   Leitura atenta e silenciosa é importante para a atividade.





       Momento de discussão no grupo. Acharam graça das "Peladas", o título é muito bom.


     Momento de discussão entre os grupos.




       Sugerido com carinho. Lisiane Inchauspe.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Projeto de Leitura Escola Municipal Francisco de Paula Pereira- Aceguá- RS



Colegas, como prometi, estou postando o modelinho da ficha preenchida pelos alunos visitados pelo Senhor Alfabeto. A ficha serve de comprovação de atividade, e é seguida do relato oral que já descrevi.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Atividade: Som e imagem para o Blog

A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida.

Paulo Freire

“As rosas são flores delicadas. Os nossos alunos são como as rosas, delicados. Devemos zelar pela sua educação mostrando de forma prazerosa e lúdica a leitura e sua importância. Pois a criança aprende através de brincadeiras e dessa forma ela é mais feliz”.

http://www.youtube.com/watch?v=zFIHAHkm52w

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brincando com as palavras



BRINCANDO COM AS PALAVRAS

Brincar com as palavras é antes de tudo, mesmo que inconscientemente, plantar em nossos pequenos leitores a sementinha que devidamente regada pela família, pela escola e principalmente por bons professores germinará e dará bons frutos a longo prazo.
Nos últimos dias esse tema vem nos cercando de uma forma tão profunda, que não há como deixar de refleti-lo. Primeiramente nos deparamos com o texto “Brincando com as palavras “ de Kelly de Souza, texto esse que nos faz reviver o quanto é bom brincar com rimas, parlendas, adivinhas. Ao chegarmos à aula de especialização, o tema que permearia nossas discussões na disciplina seria exatamente como trabalhar com a Literatura de forma mais eficaz e prazerosa. E completando a semana, no sábado à tarde uma oficina Literária com o escritor Caio Riter, em “ A formação do leitor literário em casa e na escola” , reforçaria todas as informações que havíamos adquirido no decorrer desses dias.
Não há, portanto, como negar que professores de séries iniciais carregam consigo uma grande responsabilidade, sendo estes, um dos primeiros semeadores do gosto pela poesia. Como projetou Caio Riter: Casa: tempo de ouvir histórias e outras artes também...” , porém em nossa realidade sabemos que muitas vezes é na escola que muitas dessas crianças têm seu primeiro contato com o lúdico. Por isso , mais uma vez reiteramos nossa afirmação da importância do professor das séries finais nesse processo árduo e belo. Para tanto pensamos em algumas atividades que serveriam de estimulo para começar a instigar o gosto dos pequenos pela poesia , como : a escuta de poesias, o trabalho com rimas e a encenação de pequenos poemas.
Para finalizar, cabe a nós , professores de séries finais, darmos continuidade nesse processo em busca de um leitor competente.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Projeto de Leitura Escola Francisco de Paula Pereira- Aceguá- RS


Este é o Sr. Alfabeto, criação da professora Rita Mara Acordi, do 2º ano.

Professora Rita apresentando o Sr. Alfabeto aos alunos.


O senhor Alfabeto carrega consigo uma bolsinha, e dentro dela há sempre uma leitura interessante...


Ele também é muito participativo, sempre acompanha a turma em suas atividades. Aqui, a diretora, professora Traudie Cornelsen, está dando uma aula prática sobre o ciclo da vida das plantas e técnicas de plantio de sementes e mudas.



Ele acompanhou a explicação atentamente, e depois, foi ajudar os colegas na plantação da mini-horta.
      Todos os finais de semana, o bonequinho visita um dos colegas. Eles viajam juntos no ônibus escolar e levam consigo variados tipos de leitura: jornais, revistas, livros, folders, enfim, material para toda a família. Durante a visita, a criança deve incluir o Sr. Alfabeto em suas atividades: contar-lhe historinhas, brincar com ele...Tudo isto é comprovado por uma ficha que o aluninho preenche. Nesta ficha constam dados como: contei para ele a história, brincamos de, comemos no almoço, comemos no jantar, entre outros. Às vezes, ele brinca tanto que volta bem sujinho, outras vezes, toma banho antes de vir para a escola e até volta perfumado. Depois de tudo, o aluno faz um relato oral em sala de aula.
      Acho interessante ressaltar que esta atividade inicialmente visava um incentivo à leitura, envolvendo-se o faz-de-conta e o lúdico, mas acabou tomando maiores proporções: Hoje, o Sr. Alfabeto ajuda, inclusive, a desenvolver valores nas crianças. Amizade, carinho, responsabilidade, cuidado, higiene, todos esses assuntos são abordados e trabalhados a partir das experiências relatadas.
      Diante disso, a professora Rita decidiu que vai sortear o bonequinho entre os alunos no final do ano.
      Todos esperam com ansiedade para saber quem será o felizardo que vai levar o amiguinho para casa.



Esta é a professora Lisiane Pradie (e seu bebezinho na barriga, participando desde já das atividades de leitura),  do 1º ano, que resolveu participar do projeto e criou a Dona Palavra, irmã do Sr. Alfabeto.
Dona Palavra terá atividades semelhantes às do Sr. Alfabeto.

No dia da chegada da Dona Palavra, teve festa. As mães e professoras empenharam-se no preparo dos pratos.
O Sr. Alfabeto está em todas e veio prestigiar a festa.
Antes da chegada da visita, a professora Lisi conta uma história.
Ansiosos, mas atentos e felizes.

A história fala das diversas maneiras como os estudantes brasileiros vão à escola: de carro, de ônibus,a cavalo, em voadeiras... Então, a professora comenta que ela, assim como os alunos, todos os dias viaja até a escola no ônibus da linha Bagé-Aceguá, de onde, naquela manhã, viera acompanhada de uma amiga.
 A amiga era Dona Palavra, que estava escondida dentro da caixa de leitura e só saiu de lá depois de ouvir toda a historinha.






Tinha até mãe na expectativa !!!!
Os irmãos reunidos na caixa mágica de leitura.
Dona Palavra, já integrada ao cotidiano das crianças do 1º ano, acompanha as meninas que lancham no refeitório.

Sr. Alfabeto e o coleguinha, quase na hora de pegar o ônibus para mais uma visita.



     Colegas mediadores, isso é só um resumo, uma ideia que as queridas colegas da minha escola permitiram partilhar. Eu abordarei o assunto ainda outras vezes, pois os alunos trarão de casa as fotos que fizeram durante as visitas do Alfabeto e da Palavra. Vou escanear também uma fichinha de atividades preenchida por um aluno e postar aqui.
     Agradeço à diretora da Escola Francisco de Paula Pereira, professora Traudie Cornelsen; à supervisora Hannelore Neufeld, pela disposição demonstrada na organização deste material e pelas fotos cedidas;às colegas Rita Acordi e Lisiane Pradie, competentes e engajadíssimas mediadoras e incentivadoras de leitura e proprietárias de um cantinho todo especial no meu coração, pela alegria com que aceitaram compartilhar conosco suas experiências e sugestões.
Com carinho.
                                      

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pechada- Crônica de Luis Fernando Veríssimo e ilustração de Santiago.

 


    O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.

– Aí, Gaúcho!

– Fala, Gaúcho!

     Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?

– Mas o Gaúcho fala "tu"! – disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.

– E fala certo - disse a professora. – Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.

      O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.

      Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.

– O pai atravessou a sinaleira e pechou.

– O que?

– O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.

       A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.

– O que foi que ele disse, tia? – quis saber o gordo Jorge.

– Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.

– E o que é isso?

– Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.

– Nós vinha...

– Nós vínhamos.

– Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.


      A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.

      "Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas "pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.

– Aí, Pechada!

– Fala, Pechada!

Pra mim, pra ti...

     Quando cursávamos pós- graduação em Leitura e Produção de texto, fomos alunas da doutora Lúcia Villela. Gaúcha, fez doutorado no Rio de Janeiro, e contava-nos várias situações engraçadíssimas pelas quais passou em função das diferenças dialetais. O uso de tu e você ocasionou uma dessas histórias.
    Certa vez, ao encontrar um menino, filho de conhecidos seus, ofereceu-lhe três bombons e instruiu:
_ É um para a tua mana, um para o teu mano e um para ti.
_ Mas e para mim? Indagou o menino já com cara de triste.
_ Sim, aqui está. Um para o mano, um para a mana e um para ti.
_ Mas e para mim? Repetiu o menino, já começando a chorar.
Após alguns minutos de repetição desse diálogo e de muitas lágrimas derramadas pelo menino, a doutora Lúcia deu-se conta do problema e consertou:
_ É um para o mano, um para a mana e um para você.
O menino parou de chorar imediatamente, e correu para dividir os bombons com os irmãos. Até então, talvez pensasse que “ti” fosse uma outra pessoa...



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ATIVIDADE DO BLOG - MODULO 3 - UNIDADE 1


No ônibus


Luisão é um amigo que chegou de São Paulo em Bagé. Logo na sua chegada, enquanto íamos pra casa de ônibus, um acidente aconteceu em plena General Osório.

Eu apavorado gritei:
- É uma pechada!!!

Luisão me olhou espantadíssimo, procurando a tal pechada por todos os lados.
Não entendendo a confusão que estava fazendo na cabeça de meu amigo, me dirigi a ele pedindo:
- Ajude aquele senhor que ficou preso na roleta!

Mais uma vez Luizão me olhou de forma estranha. E eu apontei o senhor que estava preso. Foi então que meu amigo entendeu o que estava querendo dizer, era pra ele ajudar o senhor que ficara preso na catraca.

Assim que tudo finalmente se resolveu, voltávamos pra casa conversando sobre o acontecido e eu fiz o seguinte comentário:
- Bagé realmente necessita de mais sinaleiras!

O amigo mais uma vez fez uma cara de desconhecimento e disse a mim:
- É, pelo jeito vou precisar de um dicionário “ bagenes”!


Vocabulário:
Pechada - batida;
Roleta – catraca;
Sinaleira – semáforo.